15/01/2024

Antonio Carlos Aguiar no Diário do Grande ABC – Sessenta tons e vibrações (não só de cinza)

Por Antonio Carlos Aguiar

15/01/2024 | 07:00

 Neste começo de ano alcanço a idade de 60 anos! Todos vocês já sabem como vou começar, mas, me desculpem, não há como ser diferente, senão iniciando pelo bordão: passa rápido demais… E pior: não fosse o bendito do espelho, eu sequer me veria com 60 anos. Mas chegou. E devo dizer: que ótimo, uma vez que a outra opção não é melhor… Bora, então, olhar o lado bom (e místico) desse novo número etário.

Nesse sentido, os olhares espiritual, mítico e da numerologia são um belo elixir para amainar o peso, afinal de contas, segundo a Bíblia, 60 é o número que representa misticamente todos os perfeitos (Cântico dos Cânticos 3,7); no espiritismo aprendizado, equilíbrio e transformação; no tarô energia; no candomblé e umbanda o número 60 pode estar relacionado a diferentes entidades, orixás ou energias espirituais. O sistema de numeração babilônico era sexagesimal (de base 60). Os ângulos de um triângulo equilátero medem 60 graus.

O sessentão não pode ter melindres. Deve ser humilde e atento com todos os vetores de mudanças. Tem de desaprender e reaprender. Se reinventar a todo instante, a cada segundo; a cada 60 segundos; a cada minuto; a cada 60 minutos; a cada hora; a cada ciclo de cinco anos ou 60 meses, numa espécie de looping-cognitivo-alquimista capaz de transformar experiência em desempenho superior (e digital).

O tempo (mesmo para o sessentão) não para. Há um começo em cada esquina. Um novo e de novo, que exige mais do que o conteúdo-linear da sua bagagem de aprendizado acumulado. 

Ele tem de olhar para frente e ter clareza e certeza de o para-brisa do saber é muito maior do que o retrovisor das informações lineares que recebeu ao longo da sua vida. 

Não existe limitação de estação, saber e/ou especialidades. Peter Drucker, o celebrado guru da administração, era advogado. Carlos Drumond de Andrade era farmacêutico. Juscelino era urologista.

Envelhecer não é um problema. É um fato. A população brasileira está envelhecendo. Vamos envelhecer em 19 anos o que a França envelheceu em 145. Não há espaço para discriminação etária (ou idadismo – preconceito a pessoas mais velhas). 

O aqui coroa e sessentão alerta sobre a necessidade que temos (todos nós, inclusive os mais jovens) de aprender e desaprender nesse mundo novo, que concentra encontros, como o de gerações; propósitos; missões; e visões diferentes (porém complementares). A prática é essencial, mas, também envelhece e, muitas vezes, se torna obsoleta.

O aprendizado tem a ver com errar e ajustar. Eu sei: para o sessentão o verbo errar é de difícil deglutição. O sessentão precisa vibrar. Vibrar com ritmo e equilíbrio, muito parecido com a terceira Lei de Newton. “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação” (Lúcia Helena Galvão).

Chegando, pois, aos 60, quero desaprender, reaprender, ser nexialista, estar aberto às mudanças, fazer mais, mais e diferente, mas, acima de tudo, acelerar e poder, via parâmetro vibratório correto, poder externar qual o meu nome interno, para chegar e encontrar o melhor!

Antonio Carlos Aguiar é ex-professor da Fundação Santo André, mestre e doutor em direito e integrante das Academias Paulista e Brasileira de Direito de Trabalho.